Ir para conteúdo 1 Ir para menu 2 Ir para busca 3 Ir para rodapé 4 Acessibilidade 5 Alto contraste 6

---

  • ?
  • ?

---

  • ?
  • ?


Dos campos para os palcos...

Publicado em 28/07/2014 às 16:46 - Atualizado em 28/07/2014 às 16:47

Desde criança, Renatão gosta de história e música
Créditos: Claudia Sena Baixar Imagem

Por: Rubiane Lima

 

Nascido em meio à cultura tradicionalista, Renato Aloísio Gomes, mais conhecido como Renatão, morador do interior de São Cristóvão do Sul, recebeu a premiação de Música Mais Popular no 1º Pouso de Tropa da Canção Nativista de Curitibanos, com a canção “Guamirim Sapecado”, apresentada ao público na última sexta-feira (18). Músico desde criança, ele conta que aprendeu a tocar gaita sozinho, observando os irmãos. “Eles tinham ciúme da gaita, então, eu pegava escondido para tocar e foi assim que aprendi. Hoje, toco gaita pianada e de botão”, lembra.

 

Renatão acredita que, se a pessoa nasceu com o dom para tocar, nada é difícil e relata que sua vida de compositor também aflorou cedo. “Sempre gostei muito de ler. Leio de tudo, mas o que gosto mesmo é a história do nosso povo, é o que sempre me inspirou a escrever e, quando via, a composição já estava pronta”, afirma.

Natural da localidade de Rio das Pedras, em Videira, ele recorda que seu primeiro grupo musical foi o Pioneiros do Rio das Pedras, formado por ele e seus irmãos. Depois, tocou no Marca de Casco, fez participação no Fogo de Chão e seguiu para carreira solo. “O palco é algo mágico, é magnífico, sempre gostei de estar tocando. Hoje, toco de forma diferente, mais em apresentações e não em bailes de noite inteira, como fazia antigamente, mas a magia do palco é a mesma”, garante.

Com um repertório vasto, muitas de suas composições foram gravadas por amigos, entre eles, músicos do grupo curitibanense Fogo de Chão. Renatão adianta que, agora, está preparando a gravação de seu primeiro álbum, o que deve acontecer em breve.

O músico explica que a inspiração para compor “Guamirim Sapecado” veio de uma visita ao Museu Histórico Antônio Granemann de Souza. “Gosto muito de visitar o museu. Vivemos em um lugar onde tem muita história, são os tropeiros, Guerra do Contestado, Guerra dos Farrapos... Esse chão é demais de valioso”, avalia.

Nesta visita, ele viu um facão feito de guamirim, madeira forte, utilizada para cabo de ferramentas e utensílios, e soube da história de como ele era feito. Segundo Renatão, para secar a madeira, o guamirim era sapecado, pois assim não ficava danificado. Foi lembrando dessa história que veio a inspiração para compor a música que inscreveu no festival e conquistou o público.

Na opinião de Renatão, o 1º Pouso de Tropa foi um festival que já nasceu grande. “Não podemos deixar nossas tradições morrerem. O tradicionalismo é algo saudável, que une as famílias, por isso, gosto tanto de participar de invernadas artísticas e ver pais e filhos juntos. Esse festival deve continuar em Curitibanos”, conclui.

Além de seu prêmio mais recente, Renato já foi vencedor por três vezes da Sapecada da Canção Nativa, em Lages, na categoria de Música Mais Popular. Ele também obteve premiações em festivais menores pelo Sul do país.

 

Conheça a letra de Guamirim Sapecado:

 

Foi nos campos do Taquaruçú, onde deu-se o “guajú” e a sangria peleia Onde os “home” da força tombaram e os jagunços pelearam na guerra tão feia

No comando de José Maria, que era quem sabia os “manejos” da guerra

O caboclo devoto obediente brigou bravamente em defesa da terra

Era briga de dois coronéis, que através de papéis demarcaram o encontro

A revolta se deu de repente e morreu muita gente naquele confronto

Sem saber bem por qual o motivo

O caboclo nativo mostrou devoção

Conhecia essas matas sem fim, sapecou o guamirim pra fazer o facão

Essa guerra durou muitos anos em Curitibanos e toda região

Sertanejo se viu acuado, ficou revoltado com a situação

Com a fé e esperança no monge, que, mesmo de longe, um dia voltava pra cumprir com sua devoção

E por esta razão o jagunço peleava

 

REFRÃO

Empunhado com fé pra defesa do chão

Guamirim sapecado se fez o facão